terça-feira, 27 de setembro de 2011
Ainda lembro o olhar de acusação lançado sobre mim, de olhos desconhecidos, que me tocou no âmago. Minhas dores e erros inconfessáveis vieram como densas nuvens, encobrindo por completo os delicados raios luminosos de felicidade, que já estão tão fracos e distantes de mim, mas que por vezes sinto seu calor acolhedor me envolver em uma brisa de esperança, de repente vem estas repudiáveis nuvens, o pior é saber que sou eu mesma que as trago de volta, de novo.
Sinto-me sufocada pelos soluços contidos, afogo-me em lágrimas não derramadas e elas descem como navalhas em minh'alma.
Um poço de magoas e arrependimentos, tentativas e erros, falhas constantes, dor aterradora a me jogar sempre contra mim, em uma luta incessante onde a dor é companheira fiel e a solidão constante.
Mar de sofrimento, mar de angustias, mar de falta de auto-perdão, não quero me deixar levar, mas a corrente é muito forte, já não tenho mais forças pra lutar, o cansaço me consome, perdi o senso de direção, não sei como me guiar... Mas não quero me deixar levar... Não vou me deixar levar... Não posso...
Sim, de fato os gritos mais desesperados são aqueles que não são ouvidos, mas percebidos no olhar (não lembro de onde ouvi isso, mas é a mais pura verdade)...
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